Ouvir um livro conta como ler?
Sim — em compreensão, ouvir um livro conta como ler. Um estudo de 2016 de Rogowsky, Calhoun e Tallal não encontrou diferença estatística de compreensão entre quem ouviu e quem leu. O cientista cognitivo Daniel Willingham explica o motivo de forma simples: entender o que você ouve usa a mesma maquinaria que entender o que você lê. A exceção é o material difícil que você está estudando — aí o texto impresso ainda ganha.
Por isso as pessoas dizem como quem confessa uma falta. Bom, eu ouvi — não li de verdade. As pesquisas são mais generosas que isso, e mais interessantes.
O que a pesquisa encontrou
Num estudo de 2016, Beth Rogowsky, Barbara Calhoun e Paula Tallal compararam quem leu um texto com quem ouviu o mesmo texto. Nenhuma diferença estatística de compreensão. Mesmo material entrando, mesmo entendimento saindo.
O cientista cognitivo Daniel Willingham, que já escreveu bastante sobre isso, explica o motivo de forma simples: entender o que você lê usa basicamente a mesma maquinaria que entender o que você ouve. A decodificação — transformar marcas numa página em palavras — é a parte que muda. A compreensão, que é o que você foi buscar ali, é a mesma.
É por isso que a resposta de Willingham para “isso é trapaça?” é não. Ninguém trapaceia no entendimento de um livro. Ou você acompanhou, ou não acompanhou.
O porém
Aqui está a parte que os posts animados omitem, e vale dizer sem rodeio.
Willingham traça um limite em material difícil que você está tentando aprender, e não apenas aproveitar. Texto difícil pede releitura. Pede parar no meio do parágrafo, voltar uma frase, ficar com um trecho até ele ceder. O texto impresso é simplesmente melhor nisso, porque fica parado.
E um segundo aviso, mais duro do que parece: se você está ouvindo enquanto faz outra coisa, você aprende menos. Até dirigir ou lavar a louça — tarefas que parecem automáticas — exigem atenção suficiente para cobrar seu preço. Então a promessa de “dar conta da lista de leitura no trânsito” funciona bem para um romance e funciona mal para um livro didático.
Para leitura por prazer, Willingham chama essas diferenças de detalhe pequeno. Para estudo, não são.
Então o que conta de verdade
Pergunte para que serve ler. Ninguém dá valor ao movimento dos olhos. O que as pessoas valorizam é ter acompanhado o argumento, conhecido os personagens, ficado com as ideias. Ouvir entrega isso. Só chega por outro caminho.
A pergunta útil não é isso conta. É qual dos dois cabe neste texto, hoje:
- Um romance, um artigo, as notícias, a maior parte da não ficção que você lê por interesse — ouça à vontade, as pesquisas dizem que você perde pouco.
- Um artigo denso, um documento jurídico, qualquer coisa que vai cair na prova — leia, e leia com as mãos livres.
- Longo, mais ou menos difícil, e você não para de se distrair — faça os dois ao mesmo tempo.
Os dois ao mesmo tempo é a resposta subestimada
Texto na tela, lido em voz alta, com a frase atual destacada enquanto avança. Você mantém tudo que o texto escrito dá — parar, voltar, reler a oração torta — enquanto a voz faz a decodificação e marca um ritmo que impede você de se perder.
Isso responde direto à objeção de Willingham. Você não está fazendo duas coisas ao mesmo tempo, e o texto não foi a lugar nenhum. Ele continua ali para você discutir com ele.
Testando
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Ouvir um audiolivro conta como ler?
Em compreensão, na maior parte sim — o estudo de Rogowsky de 2016 não encontrou diferença estatística, e o processo de entender é o mesmo dos dois jeitos.
Eu retenho menos quando ouço?
Não muito, em material comum. A diferença aparece em texto difícil que você está estudando, e aumenta se você estiver fazendo outra coisa na hora.
Por que ainda parece trapaça?
Porque em algum momento esforço virou sinônimo de virtude. A dificuldade de decodificar nunca foi o ponto de um livro.
Veja também: Leitura com TDAH: por que é difícil e o que ajuda de verdade.